Tipos de Adulteração Veicular: Como Identificar Fraudes



Você pode estar dirigindo um veículo adulterado sem saber.

Todos os dias, veículos clonados, remontados ou com sinais de adulteração circulam normalmente pelas ruas do Brasil. Muitos deles são vendidos como se fossem legítimos, enganando compradores, lojistas e até profissionais menos experientes.

Criminosos especializados utilizam técnicas cada vez mais sofisticadas para adulterar números de chassi, motor, vidros, etiquetas e documentos, dificultando a identificação da fraude.

Em muitos casos, a irregularidade somente é descoberta durante uma abordagem policial, perícia técnica ou processo de transferência, gerando apreensão do veículo e enorme prejuízo financeiro ao proprietário.

A identificação veicular é fundamental para garantir a autenticidade e a procedência de um automóvel. Por isso, conhecer os principais tipos de adulterações é essencial para profissionais da área automotiva, autoridades e consumidores que desejam se proteger de golpes e fraudes veiculares.

Principais pontos de adulteração

  • VIN (número de chassi)

  • Documentos (CRV / CRLV)

  • Numeração dos vidros

  • Número do motor

  • Plaquetas e etiquetas

  • Características gerais (cor, forros, estofados etc.)

Neste contexto, conhecer os principais tipos de adulterações nos pontos de identificação dos veículos é fundamental para profissionais da área automotiva, autoridades policiais e consumidores que desejam se proteger de fraudes. A seguir, exploraremos as formas mais comuns de adulteração e como elas podem ser identificadas.


REMOÇÃO (AUSÊNCIA DA NUMERAÇÃO DE CHASSI) – A técnica de remoção ou seccionamento da numeração identificadora do veículo consiste na eliminação parcial ou total da área onde está gravado o número do chassi.

Esse procedimento normalmente é realizado utilizando abrasivos, como lixadeiras, limas ou esmerilhadeiras, com o objetivo de apagar completamente os caracteres originais e dificultar a identificação do veículo.

Mesmo após a tentativa de eliminação, é comum permanecerem sinais característicos, como marcas de lixamento, alterações na textura metálica, redução da espessura da peça e irregularidades superficiais.



REGRAVAÇÃO – A regravação consiste na remoção parcial ou total da numeração original do veículo para posterior gravação de uma nova sequência alfanumérica.

Após o desgaste da área original, criminosos realizam uma nova marcação tentando reproduzir o padrão de fábrica. Em muitos casos, ocorre a alteração apenas de alguns caracteres específicos.

Durante esse processo, a superfície metálica sofre desgaste mecânico que pode deixar sinais perceptíveis, como:
• desalinhamento dos caracteres
• profundidade irregular
• diferenças de fonte
• deformações metálicas
• marcas de lixamento e polimento

Muitas dessas adulterações somente são identificadas durante perícias técnicas ou vistorias especializadas.





ADULTERAÇÃO SIMPLES –  É a adulteração em que um ou mais caracteres sofrem alteração em sua configuração original por meio de rebatimento, sobreposição ou modificação parcial.

São comuns alterações como:
• “3” para “8”
• “5” para “6”
• “F” para “E”
• “P” para “R”

Por serem modificações discretas, esse tipo de fraude pode passar despercebido sem uma análise técnica minuciosa.

IMPLANTE OU TRANSPLANTE – Essa técnica consiste na substituição ou recobrimento da peça suporte onde está gravada a numeração identificadora do veículo.

Uma nova chapa metálica contendo outra sequência alfanumérica pode ser fixada sobre o local original, mascarando a verdadeira identidade do veículo.

Também pode ocorrer a substituição parcial ou total da peça estrutural por outra já identificada originalmente.

É fundamental observar:
• marcas de solda
• emendas
• diferenças de textura
• desalinhamentos
• excesso de massa ou pintura
• alterações estruturais próximas à gravação

Esses sinais podem indicar implante ou transplante de identificação.





OCULTAÇÃO DA NUMERAÇÃO ORIGINAL E REGRAVAÇÃO PRÓXIMA AO LOCAL Consiste na remoção da numeração original do chassi e posterior gravação em uma área próxima ao local legítimo.

Esse procedimento também pode ocorrer em veículos que sofreram substituição estrutural ou alterações decorrentes de reparos.

A localização da gravação, alinhamento, padrão dos caracteres e acabamento ao redor devem ser cuidadosamente analisados.


REMONTAGEM – A remontagem, popularmente conhecida como “dois em um”, é uma prática criminosa que consiste na utilização da estrutura de um veículo sinistrado para montagem de outro veículo utilizando peças provenientes de automóveis roubados ou furtados.

Em muitos casos, utiliza-se apenas a porção estrutural que contém a gravação original do chassi, incorporando:
• cabine
• motor
• câmbio
• suspensão
• carroceria
• demais componentes de outro veículo

O objetivo é utilizar a documentação legítima de um veículo sinistrado para dar aparência legal a um veículo de origem ilícita.

Essa prática é extremamente perigosa, pois além da fraude documental, pode comprometer gravemente a segurança estrutural do veículo.




DUBLÊ OU CLONE -  O veículo dublê, também conhecido como clone, é aquele que recebe fraudulentamente a identidade de outro veículo regular.

Nesse tipo de fraude, criminosos adulteram:
• placas
• etiquetas
• vidros
• chassid
• documentos

O objetivo é fazer com que o veículo roubado ou furtado aparente ser um automóvel legítimo e devidamente licenciado.

Veículos clonados geralmente possuem características muito semelhantes ao veículo original, dificultando a identificação imediata da fraude.




PLACAS FALSAS - As placas falsas são utilizadas com o intuito de ocultar a real identidade do veículo e dificultar a sua rastreabilidade pelas autoridades. Trata-se de uma prática ilícita onde a sequência alfanumérica presente na placa não corresponde ao registro original do veículo no banco de dados oficial (DETRAN/RENAVAM).

Placas Modelo Mercosul: Atenção ao QR Code, acabamento geral, presença dos itens de segurança obrigatórios e conformidade da sequência alfanumérica com o padrão oficial.

Placas Modelo Nacional (pré-Mercosul): Verifique o lacre original, a qualidade da pintura e do acabamento, além dos orifícios de fixação — placas prensadas de fábrica diferem visivelmente das perfuradas com furadeira, conhecidas como “furo Mickey”.





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